quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Testemunho Vocacional


Testemunho do Seminarista Diocesano José Antonio Ferreira


“Mestre, por causa da tua Palavra, lançarei as redes”. (Lc 5,5).

Acredito que minha história vocacional deu-se desde muito cedo. Nasci em uma família extremamente católica, pais, tios e avós sempre ligados à Igreja através de catequese, ministros de liturgia, entre outros. Sempre fui motivado a estar participando da vida na Igreja, através de encontros de oração, novenas, catequese, e também e mais importante, a Santa Missa. Creio que o primeiro chamado de Deus ocorreu quando terminei a quinta etapa, em preparação para o Sacramento do Crisma. Sentia um desejo de estar participando mais ativamente das atividades, e com doze anos me tornei auxiliar na catequese em minha comunidade de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, da Paróquia Cristo Sacerdote. Com o passar do tempo, percebi que somente auxiliar na catequese, não estava sendo suficiente. Sentia a vontade de ajudar cada vez mais. Após ser crismado, tive a experiência de participar das Santas Missões Populares em minha paróquia, juntamente com minha mãe e também uma ministra. Com dezoito anos de idade, e sete anos de caminhada na catequese de minha paróquia, assumi a coordenação da catequese na comunidade. Foi um trabalho muito gratificante, onde me sentia feliz, mas ainda assim sentia algo faltar.
No ano de dois mil e oito, em janeiro, tive a oportunidade de visitar o Santuário Nacional de Aparecida e também a Fazenda Esperança em Guaratinguetá/SP. Acredito que ali, em meio às montanhas que cercam a fazenda e durante uma oração solitária na capela dedicada a Frei Galvão, que consegui discernir e reconhecer o chamado de Deus em minha vida. Foi uma linda noite e me sentia a cada passo dentro da capela, estar mais ligado a Deus e disposto a essa vida de doação e serviço pelo seu Reino. Comecei a fazer os encontros vocacionais, com a Congregação dos Oblatos de São José, e em fevereiro de dois mil e nove, ingressei no Seminário Nossa Senhora de Guadalupe em Ourinhos/SP. Após um período de experiência, retornei à Apucarana e iniciei o acompanhamento vocacional na Diocese de Apucarana. Em fevereiro de dois mil e dez, ingressei no Seminário Maior Diocesano São João Maria Vianney, onde hoje estou cursando o terceiro ano do curso de Filosofia e atualmente desenvolvendo meus trabalhos pastorais na Catedral Nossa Senhora de Lourdes.
Agradeço infinitamente a Deus em primeiro lugar pelo chamado a estar ao seu serviço. Tenho fé que juntamente com a ajuda de meus familiares, formadores, amigos seminaristas e comunidade conseguirei fazer um ótimo caminho de discernimento e estar sempre disponível ao serviço. Que Deus nos abençoe sempre. Amém.

domingo, 5 de agosto de 2012


Tempo de Conversão e Graça

Os seminaristas diocesanos de Apucarana, durante 4 dias estiveram em retiro espiritual no Centro de Espiritualidade Rainha da Paz em Maringá. A orientadora do retiro para a filosofia foi a Irmã Judite Delmassa (Missionária do Santo Nome de Maria), trabalhando com os Exercícios Espirituais de Santo Inácio; já o orientador do propedêutico foi o Pe. Alberto Martins trabalhando a temática do Bom Pastor.

  

Seminaristas da Filosofia
Irmã Judite Delmassa


Seminarista (propedêutico e filosofia)
Pe. Albertinho e Pe Emerson



 











São João Maria Vianney


São João Maria Vianney ou Cura d’Ars nasceu em Dardilly, França, em 1786. Segundo seus biógrafos, não tinha muitos dotes pessoais. Desertou do exército napoleônico unicamente porque não conseguia acertar o passo com o seu batalhão. No seminário, não conseguia acompanhar os colegas no seu estudo e fazia uma confusão mental diante de uma simples página de filosofia ou de teologia.
Ordenado sacerdote, foi enviado a uma insignificante aldeia, com cerca de 230 paroquianos. Era o coadjutor do padre Balley, aquele que, apesar de suas dificuldades, em relação ao estudo, confiara nele e o havia preparado para o sacerdócio.
Mais tarde, João Maria Vianney tornou-se o Cura d’Ars. Rezava, fazia penitência, pregava e fazia caridade, cumprindo zelosamente seu ministério sacerdotal. Permanecia horas e horas a fio atendendo confissões dos peregrinos que a ele acorriam de toda parte da França, a fim de pedir orientações.
São João Maria Vianney é exemplo e modelo dos vigários, pela sua bondade para com todos, pela sua humildade, pela sua dedicação ao sacerdócio, abraçando a sua missão com coragem, amor e disponibilidade de serviço.
A aldeiazinha de Ars, no interior da França, ficou transformada pela ação daquele que viria a ser o patrono dos vigários.
Morreu aos 4 de agosto de 1858. Em reconhecimento pela sua vida e pela sua grandiosa obra, a Igreja reconhece esse dia de sua morte, celebrando nesta data o dia do padre.
No dia de São João Maria Vianey queremos elevar a Deus as nossas preces para todos os sacerdotes para que, a exemplo de Cristo, não tenham medo de colocar a sua vida e gastá-la em favor da Igreja e da santificação do povo de Deus.
+ Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora(MG).

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Origem do Mês Vocacional

O mês de agosto é, tradicionalmente, o mês vocacional no Brasil. A CNBB convoca, todos os anos, para intensificar, neste mês, as orações e as ações em favor das vocações em geral. Embora a vocação para os ministérios ordenados deva ocupar a atenção dos fiéis durante todo o mês, por serem elas indispensáveis para a essência da Igreja, durante o mês também são homenageadas e convocadas as vocações igualmente importantes para a vida eclesial. 

Assim, na primeira semana se enfoca de maneira especial as vocações presbiterais e diaconais, por causa das festas de São João Maria Vianney, presbítero, dia 04 de agosto, e a de São Lourenço, diácono, no dia 10.

A segunda semana é dedicada à vocação ao matrimônio, com do Dia dos Pais e o início da Semana da Família. Recordamos, então, o chamado a gerar vida, a continuar com a obra criadora de Deus. Ser pai e ser mãe, constituir família, assumir um estado de vida na Igreja.

Na terceira semana, motivados pela festa da Assunção de Maria, modelo de todos aqueles que dizem sim, celebramos no terceiro domingo a vocação religiosa. Reflete-se sobre as vocações religiosas e missionárias, recordando os vários chamados de Deus neste sentido, sejam para a vida contemplativa nos mosteiros, seja para vida ativa nas várias frentes pastorais e evangelizadoras.

Por fim, na última semana se dedica atenção especial à vocação laical, recordando de forma especial os catequistas, os pedagogos da fé, mas também os vários outros ministérios eclesiais e o papel do leigo no mundo. No ano em que o mês de agosto tiver cinco domingos, no quarto domingo são recordados todos os ministérios leigos e no quinto o dia do catequista.

O mês vocacional tem sua origem logo após o Concílio Vaticano II. Com o objetivo de despertar a consciência das comunidades para a corresponsabilidade, num período de crise das vocações de especial consagração, Dom Aloísio Lorscheider, então bispo de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, instituiu uma comissão para criar um diretório vocacional para a diocese. Em 1970 surgia a primeira experiência do mês vocacional no Brasil. Esta iniciativa deu certo e, em 1981, a Assembléia Geral da CNBB instituiu o mês de agosto como mês vocacional para todo o Brasil. Em setembro de 1999, acontece o Primeiro Congresso Vocacional do Brasil.


TODOS SOMOS RESPONSÁVEIS PELAS VOCAÇÕES SACERDOTAIS




“O dever de fomentar as vocações pertence a toda a comunidade cristã, que as deve promover sobretudo mediante uma vida plenamente cristã; mormente para isso concorrem quer as famílias, que animadas pelo espírito de fé, de caridade e piedade, são como que o primeiro seminário, quer as paróquias, de cuja vida fecunda participam os mesmos adolescentes”(OT 2)
O mês de agosto é para nós um tempo muito especial. Nós o chamamos de mês vocacional. É claro que todos os dias são propícios para lançarmos a semente vocacional no terreno da existência de nossos jovens. A Igreja, neste mês vocacional, contempla todas as vocações, mas quero destacar especialmente a vocação sacerdotal. Antes partilho com todos uma grande alegria. Em nossa diocese não faltam jovens que são chamados anualmente a integrarem nossas comunidades formativas para que aí possam fazer um discernimento e dar uma resposta afirmativa a Deus que os chama. Nossa diocese conta com um bom grupo de presbíteros diocesanos e de duas congregações religiosas que nos auxiliam significativamente. Somos muito gratos aos padres religiosos, palotinos e josefinos, que integram nosso presbitério.
Mas não nos acomodemos. Continuar trabalhando para que tenhamos mais sacerdotes, não somente para esta diocese, mas também para outras dioceses, especialmente para às que estão na grande Amazônia, é uma exigência da própria Igreja.
Como o próprio texto acima, que retirei do Decreto Optatam Totius sobre a formação sacerdotal, do Concílio Vaticano II que celebra seu Jubileu de Ouro a partir deste ano, todos somos responsáveis pelas vocações sacerdotais. Tenhamos certeza de que Deus continua chamando de diversas formas. Mas é preciso que nossos vocacionados tenham condições favoráveis para escutarem o chamado e possam dar uma resposta positiva a Deus que os chama. Daí a necessidade de uma vida cristã mais comprometida e fervorosa. Não raro escutamos testemunhos onde o catequista foi sinal do chamado sacerdotal; os pais que rezavam para que um filho fosse chamado; e tantos outros casos, onde os avós, uma tia, um primo ou um amigo. Eu mesmo tive como mediação do chamado o meu pároco, e depois alguns seminaristas que me falaram de vocação sacerdotal e um casal de primos. A minha resposta não foi imediata, mas certamente o convite que me fizeram contribuiu para que mais tarde eu desse uma resposta positiva. Não tenho dúvidas disso. Daí a necessidade de semearmos sempre em qualquer tempo. Como na parábola do semeador em Mateus 13, é Deus quem faz nascer, crescer e frutificar. Estamos num tempo privilegiado onde nossa juventude está muito motivada com a JMJ. Os jovens de todo o Brasil e do mundo inteiro estão com os olhos voltados para o grande evento no Rio de Janeiro em 2013.
Aproveitemos deste terreno fecundo para lançarmos a semente vocacional no coração de nossos adolescentes e jovens e os ajudemos para que tenham condições favoráveis para um adequado discernimento vocacional.
Desejo que todas as nossas comunidades eclesiais se esforcem por serem fecundas  suscitando, assim, abundantes e santas vocações para toda a Igreja.
Que os sacerdotes, pelo seu testemunho, zelo pastoral, humildade, ânimo sempre alegre, como também pela caridade sacerdotal e fraternidade presbiteral favoreçam o surgimento das vocações em suas paróquias e comunidades atraindo para Cristo os nossos adolescentes e jovens para o sacerdócio.
Enfim, faço um apelo a todos para que em nossas orações pessoais, em família e, especialmente na Igreja, com a comunidade, nos grupos de oração, grupos de vivência, nos encontros de jovens, de adolescentes, nas diversas reuniões realizadas em nossa Diocese através dos movimentos e pastorais, nas Adorações ao Santíssimo, na visita aos doentes, na catequese e, principalmente, na celebração da Santíssima Eucaristia, que em todos esses momentos nos sintamos motivados para “orar ao Senhor da messe para que envie mais operários para sua messe” (cf. Mt 9, 37-38; Lc 10, 2).
Que a Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, sempre nos guie e acompanhe no caminho da fé e da caridade, e assim sejamos todos ardorosos e incansáveis discípulos missionários de Cristo.


Dom Celso A. Marchiori
Bispo Diocesano de Apucarana