quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Semáforos interiores


 O coração humano é um grande sinaleiro
Um dos sinais de trânsito mais conhecidos é o semáforo. Este sinalizador é de fundamental importância para a segurança dos pedestres e dos motoristas. Desobedecê-lo é colocar em risco a própria vida e também a de outras pessoas. Muitos já desobedeceram ao que o semáforo indicava e o resultado não foi bom. Ou foram vítimas de um acidente ou então receberam uma multa.

Segundo o Código Nacional de Trânsito, avançar um sinal vermelho é uma violação gravíssima às normas impostas. O motorista que comete tal falta perde sete pontos em sua carteira de habilitação. Diante de tal gravidade que pode ocorrer quando o sinal está vermelho, melhor será para o condutor do veículo obedecer.

No entanto, sabemos que nem todos os motoristas e pedestres respeitam os sinais de um semáforo. Diante da imprudência de tal atitude o resultado nem sempre é positivo. Muitos já perderam a vida e outros tantos a roubaram de seus semelhantes. Atitudes inconsequentes têm resultados trágicos.

O coração humano é um grande semáforo. Ele nos indica qual a postura que devemos ter diante das mais variadas situações da vida. Porém, é preciso reconhecer as cores que nos indicam o que devemos fazer diante das encruzilhadas de nossas opções!

Sinal vermelho do semáforo do nosso coração indica que é tempo de parar. A pressa em chegar pode nos fazer provar o amargo das emoções que ainda estão verdes. Ultrapassar o sinal vermelho é arriscado e perigoso. Podemos causar acidentes que deixarão graves sequelas no coração de quem não era culpado.

Respeitar o pedestre é sempre prioridade nas leis de trânsito. Nas leis do coração a mesma atitude é fundamental. Respeitar aqueles que cruzam as esquinas de nossa alma e caminham lado a lado conosco é atitude de um cristão consciente!

Sinal amarelo é sempre de atenção. Olhar para os dois lados da vida e ver qual deles nos oferece mais segurança! Parar e observar se a nossa pressa não poderá ser interrompida por alguém que vem em alta velocidade e ainda não aprendeu a respeitar os semáforos de nosso coração é imprescindível. Buscar a segurança necessária para que não sejamos vítimas de nossos próprios descuidos é cuidar com atenção de nosso coração.

A esperança é verde. Quando o semáforo de nossa alma nos indicar que podemos seguir em frente não hesitemos. Com segurança poderemos trilhar os mais belos caminhos e descobrir as mais lindas paisagens escondidas nas curvas de nossa alma.

Há muitos corações congestionados com sentimentos confusos. Há ainda semáforos queimados que precisam ser trocados. Um semáforo que não serve para nos indicar com segurança o nosso caminho se torna sucata. Jesus é o grande Semáforo da nossa vida. Ele nos indica qual é o melhor caminho que devemos seguir.

Nem sempre o verde da esperança estará nos indicando que podemos seguir em segurança. O vermelho do proibido, muitas vezes, vai salvar nossa vida de tristes acidentes emocionais. A atenção do amarelo vai nos garantir que precisamos parar e olhar para a vida com mais cuidado.

Para a pecadora arrependida o vermelho da hora de parar foi aceso. O jovem rico recebeu o sinal amarelo da atenção: era preciso parar e rever as escolhas que estava fazendo. Judas estava com o semáforo de seus sentimentos quebrado. Não havia prestado atenção que o sinal amarelo indicava o vermelho que iria chegar. Não olhou e foi atropelado pelos próprios erros. Maria Madalena descobriu em uma manhã de ressurreição o sinal verde de novas possibilidades.

Nos semáforos do coração encontramos a segurança necessária para caminharmos pela vida de mãos dadas com um tempo novo. Jesus nos dá sinais de trânsito livre e seguro no cotidiano dos congestionamentos de nossa alma.



Padre Flávio Sobreiro 

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Dinâmica: A Viagem

 
 
 
 
 
Objetivo:
Definir as prioridades pessoais.
Material:
Papel e caneta para cada integrante.
Desenvolvimento:
O coordenador pede para que cada pessoa escreva cinco sonhos pessoais de cada um. E começa a dizer: Lembrando que esse sonhos serão nossa bagagem de uma viagem muito especial, a viagem da nossa vida, iremos para outro país, numa longa jornada.
Com nossos sonhos em mãos e saindo de casa temos nossa primeira dificuldade, nem todos os nosso sonhos cabem no carro que vai nos levar, assim temos que abandonar um. Qual deles seria? 
Seguindo viagem, nosso carro quebra e temos que seguir a pé, mas devido ao peso das nossas bagagens temos que deixar outra de lado, ficando somente com três. Qual sonho foi abandonado? 
Em nossa caminhada nos deparamos com um cachorro que começa a corre atrás de nós para nos atacar, e para podermos escapar de uma mordida temos que deixar outro sonho, ficando com dois sonhos. Qual sonho ficou para trás? 
Após um caminho tortuoso até a entrada no outro país, encontamos uma alfândega onde somos barrados e temos que seguir somente com uma mala, qual sonho deixamos? Qual o nosso maior sonho que nunca abandonamos? 
Para o plenário: 
O carro cheio representa a nossa família e ou amigos que nos fazem desistir de alguns sonhos. O peso das malas representa o tempo no qual tentamos realizar esse sonho que pelo cansaço desistimos. O cachorro tem conotação de perseguição, assim como Jesus disse que seus discípulos seriam perseguidos, isso é uma purificação e finalmente a alfandega que significa a porta dos céus, nossa última passagem antes de assumir um único sonho para nossa vida inteira. 
Qual hora foi mais difícil para abandonar um sonho? 
O que me motiva durante as dificuldades? 
Que retribuição devo esprear se seguir corretamente todos os meus passos nesta viagem? 
qual a retribuição que Deus deu para mim?
 
Fonte: Pastoral Vocacional

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Perseverança, a medida certa


A esperança é a seiva motriz da vida


Uma maneira concreta de extrair a vida de alguém é roubar os sonhos que lhe são próprios. Nossos sonhos e esperanças são a força que faz a vida desabrochar dentro de nós. É triste, mas infelizmente real, nos encontrarmos contemporaneamente com muitas pessoas que já deixaram de sonhar e de acreditar que a vida pode ser melhor, que o sonho pode se encarnar e que a esperança pode florescer.

Não é custoso perceber que, na maioria das vezes, as frustrações acontecem porque se espera por coisas que não deveriam ser buscadas (esperadas). Confia-se em promessas irreais e, por fim, acaba não existindo uma concreta perseverança naquilo que é essencial e que deveria realmente ser buscado.
Existem muitos que apostam “tudo” em ilusões e em relacionamentos desleais (impossíveis), pautando a vida em realidades sem um fundamento que possa, verdadeiramente, saciar a ausência presente na vida e no coração.

A esperança é, sem dúvida alguma, a seiva motriz da vida. Porém, é preciso esperar bem, aprendendo a escolher sabiamente em quem esperar, para que assim a perseverança e a luta pelo que se sonha sejam possíveis e, esse sonho possa verdadeiramente assumir cores de realidade.
Quando se luta por sonhos ancorados em um fundamento além de nós mesmos, em que as esperanças se prendem a elementos de eternidade e se construam sob a lógica do amor, a vida começa, de fato, a ter e a ser sentido.

É preciso sonhar bem com realidades nas quais não esteja em jogo somente a “minha” (egoísta) felicidade. No ato de sonhar precisam estar contidas realizações que despertem, também em outros, a vontade de sonhar.

Enfim, detectada a veracidade e a consistência de nossa esperança (sonho), é necessário que nos lancemos no universo da perseverança, para que assim possamos construir o que buscamos, e isso a partir de nossa luta e persistência. Isso mesmo: persistência. É preciso perseguirmos nossos ideais sem nos determos nos “encantos” do caminho.

Existem muitos sonhos que o próprio Criador compôs dentro de nós. Esses são sempre possíveis e reais e necessitam de nossa perseverança para se concretizarem.
Quando o desânimo e o cansaço, sintomas próprios do caminhar, fizerem morada dentro de nós, precisaremos reagir aos mesmos ,munidos da força da perseverança e do espírito de luta, pois a perseverança é sempre a medida certa para grandes realizações.

Sem perseverança e persistência não poderá haver uma real vitória. Sem uma luta persistente, nosso sonho continuará apenas sonho. São nossas iniciativas – aliadas a um Amor maior – que os poderão trazer, com intensidade, ao protagonismo da realidade (da nossa vida).
Mesmo quando nosso sonho parecer cair por terra, faz-se necessário continuar crendo e perseverando, cientes de que toda vitória é precedida por algumas quedas e por uma concreta “não desistência”.

Independentemente do quanto já foi percorrido ou ainda falta caminhar, necessário e bom é prosseguir perseguindo a meta, não deixando de acreditar diante dos insucessos e sabendo que a perseverança é a medida certa para toda e qualquer vitória.

Não desista de seus sonhos e lute, lute sempre, pois, a vida reserva belas surpresas para aqueles que não desistem dela.

Coragem!

                                                                                                                        Pe. Adriano Zandoná

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Conversando sobre Equipe Vocacional Paroquial


Antes de falar do que seja uma Equipe Vocacional é importante ter presente duas afirmações: “O dever de fomentar as vocações pertence a toda a comunidade dos fiéis” (OT 2, PDV 41); a “Igreja, que por nata constituição é ‘vocação’, é geradora e educadora de vocações” (PDV 35).
A preocupação, portanto, com as vocações é de responsabilidade de toda a comunidade cristã e, como já foi dito outras vezes, a Animação Vocacional é uma dimensão da pastoral diocesana. Mas, você deve concordar que quando um trabalho é de todos acaba não sendo de ninguém; é sempre necessária a presença de alguém que torne presente e viva a necessidade de se fazer isso ou aquilo. Também na questão vocacional não é diferente, ser animador(a) vocacional não é uma “obra do acaso”, é vocação! Portanto, alguns cristãos dentro da comunidade eclesial, sentem-se chamados(as), vocacionados(as), a serem voz do Deus que chama para ocuparem-se das vocações. Estes são os animadores(as) vocacionais, pessoas “chamadas para chamar”.
Se desejamos dar uma definição poderíamos dizer que a Equipe Vocacional Paroquial é composta por um grupo de cristãos que trabalham espiritual, formativa e materialmente por todas as vocações na comunidade eclesial.
Em uma Equipe Vocacional Paroquial (EVP) todos devem estar conscientes e ter clareza da motivação pela qual estão juntos: o amor e o trabalho pelas vocações. A clareza e a consciência são importantes, mas não bastam. Muitas vezes, encontramos animadores(as) vocacionais que fazem de tudo na comunidade eclesial menos animação vocacional. É necessário que o grupo tenha prazer não só em trabalhar junto, mas também em estar junto partilhando experiências, amizade, esperanças, sofrimentos, enfim, serem companheiros de estrada. Para isso, é necessário e importante “gastar” tempo com momentos e atividades que ajudem e facilitem a integração das pessoas com momentos de oração, visitas, celebrações de datas importantes para as pessoas, retiros, lazer e partilha de vida. 
Uma ressalva se faz muito importante: se paramos o processo de constituição e formação da equipe na dimensão antropológica, teremos um belo e ardoroso grupo para qualquer instância da sociedade, mas o objetivo é formar uma equipe consciente de pertencer a uma comunidade eclesial, por isso, o que qualificará este grupo virá exatamente da palavra cristão. Isso significa ter pessoas conscientes de sua vocação batismal, de serem discípulos-missionários de Jesus Cristo e pertencentes a uma comunidade eclesial. 
Você pode perguntar: “onde fica o amor e a consciência de ser chamado para trabalhar pelas vocações?”. Sua pergunta tem fundamento, porém, não devemos esquecer que o amor por algo ou alguém, muitas vezes, esta latente e pode ser despertado. Sendo assim, será o processo de formação e trabalho na equipe que irá despertando esse desejo e amor pela causa vocacional a ponto da pessoa “vestir a camisa da animação vocacional”. O importante é sempre chamar, outra regra de ouro da PV/SAV.
Outro elemento de nossa definição do que seja EVP é a consciência de pertença a uma Igreja local, ou seja, de comunhão com as demais estâncias evangelizadoras da paróquia como também da diocese. 
A EVP auxilia na organização e amadurecimento vocacional de toda a Igreja. Segundo pe. Valnei essa “Igreja deve ser sempre vista em seu caráter de totalidade, como um todo presente no mundo e não algo restrito ao território da paróquia em que habitamos. Sendo assim, não é possível pensar uma EVP fechada no espaço físico de sua paróquia, mas sim uma equipe aberta, que se relaciona com as demais paróquias, trocando experiência com as demais equipes vocacionais ou auxiliando na estruturação do serviço vocacional nas paróquias onde não existe esse apostolado. Isso acontece principalmente onde há uma Equipe Vocacional Diocesana organizada” .
Composição da equipe
- Sendo o pároco o primeiro responsável pela existência da EVP, isso irá requerer dele formação na área vocacional e a indicação de uma pessoa nomeada como animador vocacional que o auxilie na formação desta equipe. Mas, alguém que tenha, de preferência, “espírito de liderança, capacitado ou aberto à capacitação para o trabalho de animação vocacional, reconhecido oficialmente na comunidade para iniciar a estruturação de uma equipe vocacional” ;
- na medida do possível a equipe seja compostas por pessoas de diferentes opções vocacionais (casais, jovens, religiosas, solteiras, diáconos permanentes) e atuação pastoral (apostolado da oração, RCC, pastorais sociais, família, juventude, crisma, batismo, etc). A presença de pessoas que atuam em outras pastorais facilita o trabalho de integração do SAV, principalmente com as pastorais afins (jovens, catequese, família e crisma);
- também pode ser membro da equipe alguém que ainda não tenha nenhuma atuação pastoral, em geral são pessoas que têm mais disponibilidade e tempo;
- o número de membros pode variar dependendo da realidade da paróquia, às vezes, pode exigir a criação de uma equipe central pequena que anima, articula e coordena pequenas equipes vocacionais presentes nas comunidades ligadas a paróquia.
Organização interna
- que haja um tempo prévio de formação vocacional aos membros da equipe, de forma que estes possam ter o mínimo de clareza de sua função na equipe e na comunidade eclesial;
- seja criada uma pequena organização interna com a escolha de um coordenador, secretário e tesoureiro;
- é importante que a equipe tenha e mantenha atualizado seu livro ata. O livro ata ajuda manter viva a caminhada percorrida, podendo assim evitar atropelos como o contínuo recomeçar como se nada tivesse sido feito anteriormente;
- escolher um representante da equipe no Conselho de Pastoral Paroquial e outro para a Equipe Vocacional Diocesana, não sendo possível duas pessoas que seja a mesma pessoa, o importante é ser representado
- planejar e programar as atividades que serão desenvolvidas ao longo do ano, como também os momentos de avaliação que podem ser anuais ou semestrais;
- planejar as reuniões, formações e retiro da equipe;
- montar um calendário com: os aniversários de vida ou casamento dos membros da equipe; aniversário de ordenação do pároco ou profissão de alguma religiosa que atua na comunidade eclesial. Estes são momentos vocacionais importantes na vida das pessoas e uma equipe vocacional deve recordar e rezar por eles.
Critérios
Antes de apresentar alguns critérios gostaria de transcrever um alerta importante. “Se a composição da EVP não levar em conta certos critérios básicos, se correrá o risco de formar uma equipe vocacional contraditória, que muitas vezes se propõe fazer um serviço sem possuir maturidade suficiente para realizá-lo. Ter critérios na seleção de membros é um meio de organizar bem uma equipe e ao mesmo tempo evitar uma série de problemas para a Igreja. [...] O que indicamos como critério não é algo absoluto, mas são antes de tudo propostas [...] não pretendemos falar de critérios infalíveis e indispensáveis, mas apresentamos propostas que deverão ser avaliadas pela comunidade e comprovada sua aplicabilidade. Essa abertura para se verificar as possibilidades concretas da comunidade, no entanto, não pode ser pretexto para organizar uma equipe de qualquer forma com qualquer pessoa. Entre a não-existência de uma equipe e a existência de uma EVP desastrosa, a primeira opção muitas vezes é mais aceitável” .
• Personalidade: adulto que aprende com a vida a lidar a com seus erros e fracassos;
• Vida e prática de fé: é necessária adesão a Deus por meio do seguimento a Jesus Cristo, ou seja, ter feito a experiência do encontro pessoal com Ele;
• Cultivo da espiritualidade: Jesus é o centro de seu ser e agir;
• Consciência de ser mediador, um “instrumento” nas mãos de Deus: busca ser como Maria entregue nas mãos de Deus;
• Amor a Igreja e ao povo: amar significa, muitas vezes, ter a coragem de ser crítico;
• Coerência: acredita e ama sua vocação e as vocações;
• Pessoa com capacidade de escuta e diálogo;
• Comunicador: envia mensagens claras e objetivas;
• Disponibilidade: a PV/SAV requer tempo para as atividades, na medida do possível que não seja uma pessoa já bastante comprometida na comunidade cristã.


Ir. Clotilde Prates de Azevedo, ap

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

FORMAÇÃO DE ANIMADORES



QUAL É A TAREFA/OBJETIVO DO SAV?

A Igreja como continuadora de Jesus não poderá ser fiel à sua missão se não for ela animadora das vocações. “Em se tratando de animação vocacional, temos de ter ciência que toda Igreja deve ser animadora das vocações, pois animar as pessoas para um despertar vocacional não é algo secundário, mas sim uma dimensão prioritária e essencial de toda Igreja, ou seja, é missão da Igreja dar vida e sentido àqueles são chamados”. (João Paulo II, Pastores Dabo Vobis, nº 34) Ela tem como objetivos: despertar para a vocação humana, cristã e eclesial; discernir os sinais indicadores do chamado de Deus; cultivar os germes de vocação e acompanhar o processo de opção vocacional consciente e livre. Deve dar ênfase às vocações de especial consagração e, entre elas, a vocação a vida consagrada religiosa (o) e sacerdotal.
O papel do animador vocacional
Animar a ação - vem de anima = alma da ação.
O animador vocacional é, portanto aquela pessoa que desenvolve sua missão sempre em consonância com a Igreja, cultiva uma forte espiritualidade Eucarística e Mariana, que se deixa conduzir e que tem a certeza de que o verdadeiro animador é o Espírito Santo.
A palavra animação vem do latim: anima, que quer dizer alma. Ora, onde tem alma tem vida, pois não há corpo sem alma e nem alma sem corpo. Portanto quando falamos em animação nada mais é do que dar vida a algo, dar sentido e razão de ser. Desse modo, o animador (a) vocacional deve ser aquela pessoa que coloca anima em tudo aquilo que faz, principalmente em se tratando de vocação, chamado de Deus à vida.
É indispensável que o animador seja uma pessoa aberta, com o coração livre de preconceitos, de concepções errôneas, capaz de ouvir a história pessoal dos jovens de hoje, com misericórdia, escuta, acolhida compreensiva, ajudando o vocacionado a superar o passado e assumir o futuro à luz da Palavra de Deus. Para isso é de grande importância que o animador tenha um conhecimento dos problemas psicológicos, sociológicos da juventude atual. É importante criarempatia trabalhando a partir da realidade do jovem, separar as distâncias físicas, psicológicas e culturais, criar proximidade, ouvindo seus anseios suas perguntas, e seus pareceres. Compreendê-los com sabedoria, ajudá-los no processo da descoberta de Deus sobre si. O seguimento de Jesus e o acompanhamento por parte do animador vocacional não pode excluir nenhuma dimensão da vida e da existência humana. Sem essa forma de acompanhamento global se torna difícil o discernimento. Isso implica uma presença de mestre e discípulo na família, na escola, no trabalho e na rua nos lugares de recreação e, sobretudo no seio da comunidade paroquial. Deve-se levar em consideração o espaço existencial do jovem.
Outro elemento fundamental que não pode faltar no animador vocacional é que seja uma pessoa verdadeiramente feliz, realizada, capaz de atrair, cativar e contagiar. Ser animador vocacional é acreditar que a comunidade é uma grande força no seu trabalho e que todas as pastorais, movimentos que existe na igreja são responsáveis pelo surgimento vocacional na comunidade. Portanto, se faz cada vez mais necessário a formação de uma cultura vocacional. Como afirma o nosso querido e saudoso João Paulo II “a comunidade que não gera vocação, é uma comunidade estéril”. Creio que o animador vocacional, fará um trabalho significativo se sensibilizar a comunidade que todos somos vocacionados; que primeiro deve ser um autentico cristão atuante, comprometido com a comunidade. Neste momento é importante e significativa uma proposta mais corajosa e audaz com uma proposta definida e orientada para a vida consagrada a serviço de Deus.
O Animador vocacional deve agir como o Bom Pastor: sempre vai à frente de seu rebanho guiando-o por caminhos seguros (Sl 23,3). Também deve estar atento às ovelhas dispersas do rebanho e se preciso for, deve carregar as ovelhas no colo. Não há exemplo melhor de Animador Vocacional do que Jesus Cristo. Homem simples de Nazaré, filho de carpinteiro, porém acreditava fielmente em sua missão. Este homem simples, certo dia resolveu chamar outros doze homens e os motivou vocacionalmente. A partir da animação vocacional que ele fez e com o envio do Espírito Santo, o Homem de Nazaré, juntamente com os doze, transformaram o mundo. Portanto, sejamos como Jesus de Nazaré: tenhamos coragem, ousadia, perseverança e jamais percamos o vigor de cristãos em fazer ecoar o convite “vem e segue-me”.


O que faz então o animador? Simplesmente ajuda o jovem ou a jovem a também deixar-se guiar pelo Espírito, descobrir o grande amor que Deus tem por ele ou por ela, cultiva o grande desejo de consagrar-se a Deus e o orienta para que descubra o caminho.Podemos sugerir alguns passos:
O Despertar: para a valorização da vida: valores que caracterizam o ser humano enquanto pessoa; Despertar para a vocação cristã da vivência do compromisso batismal. Despertar para a dimensão eclesial da vocação= serviços específicos dentro da comunidade;
Discernir é o momento de verificar com a pessoa que sente o desejo de seguir o Mestre, quais os sinais indicadores do chamado de Deus. No processo de discernimento questionar as motivações, sondar as intenções, alertar para a radicalidade e a seriedade da opção. Lembrar que os principais agentes deste processo de discernimento são o Espírito Santo e o próprio vocacionado e vocacionada. Nesta etapa é indispensável que o animador ou animadora conheça bem a pessoa, sua historia, sua cultura, sua família, saúde para melhor orientá-lo na sua opção de vida.
Cultivar, nesta etapa, se pretende ir mais a fundo nos sinais do chamado divino, verificados e percebidos durante o processo de discernimento, através de um confronto, onde o jovem possa entrar dentro de si mesmo, para verificar a autenticidade do chamado.
Acompanhar, esta etapa tem por objetivo acompanhar o processo de opção vocacional consciente e livre, do jovem ou da jovem vocacionada. Como tal, ela vai acontecendo aos poucos passo a passo. É importante que o animador tenha muita calma, paciência, espera firmeza e coragem no processo do acompanhamento. O animador deve ser companheiro de caminhada, ajudando sempre mais o vocacionado a firmar-se e andar com os próprios pés. Lembrando que é ele à luz do Espírito Santo que faz o discernimento.


“Nossa missão é evangelizar, despertando vocações a serviço do Reino de Deus.”
A missão do animador vocacional é despertar, animar, acompanhar, ajudando no processo de discernimento vocacional, contribuindo com os cristãos, para encontrarem seu “espaço” na Igreja. Diante desta missão, cada animador vocacional tem o compromisso de suscitar, incentivar, motivar cada batizado (a) a ser protagonista de sua vocação, assumindo verdadeira e radicalmente o chamado que Deus fez (Vem e Segue-me!). Para realizar esta missão, cada animador é chamado a ser: pessoa motivada, de Fé madura, que não desanima diante das dificuldades, entusiasmada, ser pessoa de oração a exemplo de Jesus, ter clareza e muita convicção da própria vocação, pessoa equilibrada, com capacidade de desempenhar este trabalho, disponibilidade, bom preparo, espírito de discernimento, ter senso crítico e capacidade de diálogo para ajudar os jovens no discernimento vocacional e principalmente deve ter um grande amor a este importante trabalho.



Fonte: SAV Foz do Iguaçu

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ser Santo porque Jesus é Santo


“Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor” (Hb 12,14)






Amados irmãos e irmãs, no dia 1 de novembro celebramos a festa de todos os santos. No Brasil, esta festa é celebrada no primeiro domingo de novembro. A santidade é o ideal para todos os batizados. É meta para todos nós que hoje, engajados em nossas comunidades eclesiais, temos a responsabilidade de dizer ao mundo que Jesus é a única resposta para as nossas mais variadas indagações. Jesus é o nosso modelo de santidade, pois permaneceu sempre fiel ao Pai e em tudo procurou fazer unicamente sua santa vontade. Jesus nos ensina a viver em plena sintonia com Deus Pai numa atitude de total obediência. Em sua missão, anunciou profeticamente o Reino de Deus, defendeu os direitos dos fracos e promoveu uma vida digna para todos os seres humanos. Condenou as estruturas de morte e propôs a vida em todas as suas dimensões apresentando-se como sendo ele mesmo o caminho, a verdade e a vida. Por isso curou os enfermos, expulsou os demônios e comprometeu seus discípulos para que promovessem a dignidade humana e os relacionamentos sociais baseados no amor, no diálogo e na justiça. Conforme Ap 7, os Santos “são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”, ou seja, eles se identificaram com Jesus, colocando-se ao seu serviço até às últimas conseqüências, até à morte por amor ao Reino de Deus; lutaram até o fim para superar o mal e viver de acordo com os valores propostos por Jesus no seu Evangelho. Os santos acolheram as Bem-Aventuranças proclamadas no Evangelho de  Mt 5  e se identificaram com Jesus na Pobreza, na Obediência e na Castidade. Venceram a avareza e a ambição pela pobreza; venceram a ira e o desejo de vingança pela mansidão; venceram a indiferença pela misericórdia; venceram os impulsos da carne e a força de uma sexualidade desenfreada pela castidade; venceram os conflitos e as desordens sociais pela promoção da paz e da concórdia; venceram o egoísmo e o hedonismo, colocando-se ao lado dos aflitos, dos pobres, doentes e esquecidos pela sociedade; e, fortalecidos pelo sangue de Jesus, encheram-se de coragem e de alegria e enfrentaram os horrores da perseguição e seu próprio martírio. Tudo isso por causa de Jesus, “o verdadeiro pobre de espírito, o aflito, o manso, aquele que tem fome e sede de justiça, o misericordioso, o puro de coração, o pacificador, o que sofre perseguição por causa da justiça” (Bento XVI). Na medida em que aceitamos o que Jesus nos propõe no sermão da montanha, e nos identificamos com ele, cada qual nas suas próprias circunstâncias, também nós experimentamos a força renovadora das Bem-Aventuranças. Sim, com Jesus podemos nós também ser santos, sem “precisarmos fazer nenhum milagre para provar que Deus age em nós. Basta nosso testemunho” (Dom Celso). Segundo Bento XVI, “A Igreja propõe-nos muitos Santos, que viveram plenamente a caridade, que souberam amar e seguir Cristo na sua vida quotidiana. Todos eles nos dizem que é possível percorrer a estrada da santidade”. Maria Santíssima, espelho de toda a santidade, e todos os santos tornem santa nossa vida e nos façam fiéis e sempre mais perfeitos discípulos missionários do seu Filho Jesus Cristo para que possamos contemplar finalmente o rosto de Deus e cantar eternamente os seus louvores. Amém!



+ Dom Celso Antônio Marchiori

Bispo de Apucarana

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

E vocês? Vocês, nunca!



Em 1927, da distante Birmânia (hoje Mianmar) o bem-aventurado padre Clemente Vismara brindou seus jovens leitores e amigos ocidentais com o texto abaixo, inspiradamente desafiador. Uma experiência desfrutada apenas por um missionário.
"A noite escura tudo enluta, tudo igua­la. Na mata cerrada, sem fim, com os meus pequenos, faço reviver uma festa de infância, quando Papai Noel enchia de doces as meias e, em meio à expec­tativa geral, acendo uma das cem cepas de bambu, extirpadas para dar lugar ao orfanato. Num instante, uma labareda, que a tudo dá vida e a todos alegra, cre­pitante, uivando, toca o céu. E vocês? Vocês, nunca!
Não posso dormir; o encanto da nature­za me arrebata. O céu me sorri, as estre­las me piscam, a lua me dá luz, o rio, na areia do qual estou sentado, me fala, a árvore que me protege gesticula, a brisa me acaricia. Viva o missionário, o rei da floresta!
Amarrando as sandálias, esticando os membros, sem camisa, corro ao riacho e, na água virgem, lavo meu rosto, onde os peixinhos perseguem as bolhas de sabão que fogem, levadas pela corrente. E vocês? Vocês, nunca!
Sozinho na minha cabana, rezo o rosário, enquanto o meu gatinho, com suas pati­nhas, gentilmente puxa o terço, como se quisesse unir-se a mim para louvar a Mãe. E vocês? Vocês, nunca!
No meio de uma multidão de curiosos, com minha pinça, arranco um dente e o entrego ao paciente, entre aclamações gerais.
Com a boina debaixo do braço, ao pôr do sol, entro numa aldeia da montanha. Num instante, torno-me o senhor do lu­gar, pois todos correm quando aparece a minha longa barba. E vocês? Vocês, nunca!
Faminto e sozinho pelo caminho perdi­do, corto com o facão um grosso bambu e dele faço uma panela. Com outro, faço uma peneira. Recolho gravetos secos e acendo o fogo. Tiro água do riacho e c loco os aspargos e os grossos brotos do bambu nascente para nadar... E vocês? Vocês, nunca!
O tempo se enfurece e não dá para escapar. Quatro facadas. Com grossas bananeiras e com suas longas, largas e resitentes folhas, em cima de quatro bambus entrecruzados, construo a minha casa: Sou mais feliz do que o caracol! E vocês? Vocês, nunca!
De uma fenda na parede da cabana, aponto a espingarda, derrubo um javali... e garanto a refeição. E vocês? Vocês, nunca!

Sentado num tronco queimado,  à noite avançada, perdido numa garganta da selva, molestado por pernilongos, catequizo cinco famílias de ladrões de marca maior... E vocês? Vocês, nunca!
Meu travesseiro é de penas de aves, meu tapete é a pele de um veado, meu cabide fiz com os chifres de um cervo, todos vítimas da minha espingarda.E vocês? Vocês, nunca!
Aqui em Monglin, vivo sem casa; des­perto sem despertador; lavo-me sem bacia; rezo sem igreja; como sem toalha; caço sem licença; viajo sem dinheiro; engano sem culpa; traba­lho sem descanso; estou alegre sem teatro; passeio sem sapatos; estudo línguas sem parar; não passo um dia sem aborrecimentos; vivo sem ami­gos; dou de comer a quarenta crian­ças todos os dias; envelheço sem perceber e, com certeza, vou morrer sem remorsos, porque  homem alegre o Céu o ajuda.  E vocês? Vocês, assim? Nunca, se não vierem, e logo, para serem meus companheiros!"